Lady Gaga, Joanne e uma vida de experimentações.

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A carreira de Lady Gaga é uma verdadeira montanha-russa (com vários loopings, acelerações repentinas, quedas bruscas e muitas subidas).

Quando você pensa que já viu e ouviu de tudo, a ilustre Stefani Germanotta vem, toma conta do jogo novamente e explode em outras 1001 criações e reinvenções.

“Just Dance”. “Poker Face”. “Lovegame”. “Paparazzi”. Introdução.

Lá em 2008/2009, Lady Gaga botou a cara no sol e comandou uma verdadeira revolução musical e visual com seu álbum de estreia, “The Fame”.

Uma nova era de experimentações estava aberta para os amantes de música pop. O que tocava nas rádios possuía uma sonoridade diferente do que estava sendo apresentado por Gaga, porém isso não foi nem um pouco intimidador para a cantora, que utilizou cada pedaço dos holofotes, com esperteza e sabedoria, a seu favor.

“Bad Romance”. “Telephone”. “Alejandro”. Sucesso.

O “The Fame Monster” chegou e o pop feliz, jovem e sedutor de “Just Dance” deu espaço a um pop mais obscuro e com ideias mais bem trabalhadas. Os três singles citados acima fizeram um barulho ensurdecedor na mídia mundial por motivos diversos: sonoridade, clipes, performances, parcerias, controvérsias e polêmicas.

Cá entre nós: antes do lançamento de “Bad Romance”, o terreno já estava preparado e a indústria estava aquecida para receber o próximo passo da carreira de Gaga. O sucesso estrondoso do “The Fame” deixou todo mundo querendo mais.

Gaga alimentou seus fãs e a mídia com o que eles queriam, mas não deixou de experimentar.

Você já ouviu o “The Fame Monster” inteiro? Já ouviu “Dance In The Dark”? “Teeth”? “So Happy I Could Die”?

Essas três outras músicas encaixam perfeitamente no EP, mas são bem diferentes dos singles escolhidos para representar o monstro mundo afora.

A partir daqui, repare. As experimentações continuam e, de certa forma, crescem a cada lançamento.

“Born This Way”. “Judas”. “You and I”. “The Edge of Glory”. Aceitação.

Na minha humilde opinião, o “Born This Way” é o álbum mais trabalhado e bem feito da Gaga até o momento. As músicas são incríveis, os vídeos são deslumbrantes (cada um com suas peculiaridades), as performances são épicas e a mensagem de aceitação que o álbum transmite mudou a vida de muita gente.

O álbum traz uma expansão no quesito influências musicais. É tudo muito pop, porém às vezes aparece uma batida super eletrônica pesada e, ao trocar de faixa, ouve-se uma balada com toques de rock e música country. Às vezes você percebe alguns detalhes que você também percebia lá no “The Fame” e, ao trocar de faixa, ouve-se uma faixa com toques latinos.

Experimentação novamente, porém bem sutil e sem arriscar muito, a música pop se mantém no centro das produções.

“Applause”. “Do What U Want”. “G.U.Y.”. Realidade.

Sabe a queda da montanha-russa? Chegamos nela. Não me refiro apenas ao “ARTPOP”; me refiro ao conjunto de acontecimentos na vida de Gaga nessa época.

Cirurgia no quadril. Pressão da gravadora. Pressão do seu agente e de muitos da sua equipe. Problemas na vida pessoal. Lançamentos precipitados e sem muito planejamento. Polêmicas. Realidade.

O “ARTPOP” é um álbum correto que saiu na hora errada. A sensação que esse projeto passou é que existiam muitas divergências entre as ideias de Gaga e as ideias de sua gravadora para o marketing e divulgação do material.

Falando da sonoridade, o “ARTPOP” é um projeto com muitas influências da música eletrônica (vide “G.U.Y.”, “Swine”, “Mary Jane Holland”, por exemplo). Porém é injusto e errôneo dizer que ele é 100% dominado pelo estilo. “MANiCURE”, por exemplo, possui elementos muito presentes no rock. Já “Jewels N Drugs”, elementos presentes no rap e hip hop.

Um álbum “seguro” (sonoramente falando), e com pouca verdade. Muita gente curtiu, mas não se identificou.

“Perfect Illusion”. Joanne. Verdade.

Pra limpar a má impressão que ficou pós “ARTPOP”, Lady Gaga aceitou o convite para gravar um álbum de jazz com a lenda Tony Bennett. Além disso, cantou o hino nacional americano (o oficial, não “Bad Romance”) no Super Bowl 2016 e derrubou lágrimas de muitos com sua apresentação no último Oscar, uma homenagem ao filme The Sound of Music (aka Noviça Rebelde).

Se desmontou de seus looks extravagantes, maquiagens pesadas e apresentou uma nova Lady Gaga ao mundo. Elegante, simples e com uma técnica vocal invejável.

E desde então eu soube que uma era focada em seu maior talento – sua voz – e em suas influências primárias estava vindo.

“Perfect Illusion” pegou todo mundo de surpresa. A música é bem diferente de tudo o que Gaga já lançou até hoje. Talvez o instrumental lembre um pouco “Electric Chapel”, do “Born This Way”, mas as semelhanças param por aí. A voz de Gaga agora é crua, sem muitos efeitos e nem sempre as imperfeições são apagadas por programas de computador. A letra do single é aberta a várias interpretações (relacionamento conturbado com Taylor Kinney, carreira e drogas – três teorias de fãs) e, em qualquer um dos casos supostos, torna a música bem pessoal e íntima.

“Joanne” é o título do novo projeto apresentado por Gaga nesse mês de Outubro. O nome, que é familiar para fãs desde a época do “The Fame”, é uma homenagem à sua falecida tia.

I’ve got a hundred million reasons to walk away… But I just need one good one to stay

A era de maiores experimentações chegou. Ironicamente, será sua era mais pessoal e desconstruída do “personagem” que ela construiu.

Pelas duas músicas divulgadas e pelas prévias vazadas, percebemos que o rock e o country tomam as rédeas do projeto e alinhados ao pop trazem algo fresh para a discografia e carreira da Gaga.

“Joanne” não vai ser seu álbum de maior sucesso, provavelmente. Mas é tudo o que Gaga precisa para agora.

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