Katy Perry, política e seu novo single “Chained to the Rhythm”

katy-perry-ftr

Em Outubro de 2013, Katy Perry lançava “Prism”, um dos pontos mais altos de sua carreira até o exato momento. Desde o término das divulgações, fãs de todos os lugares do mundo aguardavam novidades sobre os próximos passos da cantora.

Rumores de um novo single em 2016 apareceram e logo novos rumores de que Katy teria descartado material para trabalhar em músicas com mensagens mais fortes (e políticas) também surgiram.

gifs-gifs-katy-perry-tumblr-19

A recente eleição nos Estados Unidos deu o que falar. Trump x Hillary. Várias personalidades da mídia americana se manifestaram, e os cantores não ficaram de fora.

Alguns decidiram ficar neutros, porém muitos outros deixaram bem claras suas posições políticas. Katy demonstrou apoio à Clinton e repulsa à Trump durante toda a campanha eleitoral, e isso, claro, se manifestou de uma forma sutil – e ao mesmo tempo forte – em seu novo lançamento.

Sonoramente falando, “Chained to the Rhythm” é o tipo de single que facilmente agrada à todos. Tem um ritmo contagiante (alô, dancehall!) e tem um refrão simples, mas que vai ecoar na sua cabeça pelo restante da semana.

A composição da música é assinada por Sia, hitmaker responsável por inúmeros sucessos atuais no mercado americano. E só pra constar: Sia também participou de atos a favor de Hillary.

Já a produção do single é assinada por Max Martin, que também já produziu grandes hits de Katy, como “Dark Horse”, “Roar”, “I Kissed A Girl”, entre outros.

e7fbb6d2d0661b843397264775eab685-1000x1000x1

Já na primeira ouvida, fiquei intrigado com algumas frases e essa intriga aumentou consideravelmente após assistir o lyric video, que tem como protagonista nosso amigo Mr. Parsons, o hamster.

Nós estamos loucos? Vivendo nossas vidas através de uma lente. Presos em nossas “cercas brancas”, como ornamentos. Tão confortáveis! Estamos vivendo em uma bolha. Não conseguimos enxergar a confusão.

Em várias partes da música, Katy critica o modo de vida conservador e preguiçoso, que não ajuda em nada no desenvolvimento de causas importantes. Como por exemplo, por que se importar com os problemas entre Trump e os imigrantes se podemos ficar em nossas casas com “cercas brancas” assistindo televisão?

Aliás, falando em imigrantes, Skip Marley abre sua participação na música falando indiretamente da situação do governo atual de Trump em relação aos imigrantes muçulmanos:

Esse é meu desejo… Quebrar as paredes para conectar, inspirar.

Ele já tinha falado um pouco sobre isso na sua música “Lions“, lançada a pouco tempo.

Eu que sou leigo em política consegui sacar a mensagem. E isso é o que eu acho mais legal sobre a música pop. O alcance de um single lançado por uma popstar do nível de Katy Perry é gigantesco (dentro e fora dos Estados Unidos) e isso pode servir de inspiração para inúmeras pessoas procurarem se inteirar do assunto.

1486763260_83_teaserbreitgross

O lyric video da música nos apresenta um pouco da vida de Mr. Parsons, um hamster fofinho que vive em uma bela casa. Enquanto ele assiste televisão, uma mão gigante prepara sua comida e posteriormente o alimenta.

Para muitos vai ser apenas um vídeo fofo de um hamster sendo alimentado por seu dono e só. Os que pararem um minuto para refletir e pensar um pouco sobre a produção poderão se surpreender com a quantidade de possibilidades que o pequeno filme traz.

No livro 1984, de George Orwell (um de meus preferidos de todos os tempos), Mr. Parsons é o patriarca de uma família de classe média que aceita tudo o que o Partido (que comanda tudo e todos no livro) impõe. Se o assunto te interessa, vale a pena pesquisar sobre o livro e fazer paralelos com a música e com a situação política atual na América do Norte.

Resumindo, o hamster representa uma parte da população que é desligada ou que simplesmente não se importa com os acontecimentos políticos e socioculturais no país. São pessoas que realmente vivem em uma bolha e tem uma visão nem sempre completa sobre situações e acontecimentos do presente. Além disso, são pessoas que aceitam serem manipuladas por uma “força maior” e não se importam com isso.

Tenho orgulho da Katy. Como cantora, ela poderia optar por lançar mais uma música sobre festas e relacionamentos e não se envolver com política. Jogar em terreno seguro, sabe?

Ao invés disso, ela resolveu seguir sua verdade. E resolveu seguir, com certeza, uma vontade interna de mudar o mundo aos poucos e prestar um serviço importante aos seus ouvintes: ativar o pensamento reflexivo sobre acontecimentos que merecem atenção e posicionamento.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s