“Pose”: um “Paris Is Burning” para a nova geração.

pose

Ryan Murphy. Anos 80. Cena LGBTQ+ dançante de Nova York. Pose.

Pensa comigo: tem como dar errado?

Já te respondo de cara: NÃO! QUE HINO!

“Pose”, nova produção da FX assinada por Ryan Murphy (cabeça por trás de várias séries de sucesso, incluindo Glee e American Horror Story), estreou há apenas 2 dias e já chegou mostrando para o que veio! Até o momento, o episódio piloto já recebeu 22 críticas especializadas positivas contra 1 mista e parece estar agradando também o público.

O episódio piloto é um deleite: a trilha sonora, que já no 1º episódio trouxe clássicos de Chaka Khan, Whitney e Kate Bush, é impecável; a produção tem um ritmo incrível, a quase 1h30min de episódio passa num piscar de olhos; os personagens são muito bem construídos e carismáticos; o elenco, que já é o maior no quesito de membros da comunidade LGBTQ+ na televisão aberta americana em uma só produção, consegue mostrar toda a sua força.

Para quem nunca assistiu “Paris Is Burning” (ou até mesmo “Rupaul’s Drag Race” ) e não conhece nada sobre a cultura gay dos anos 80 nos Estados Unidos pode estranhar alguns termos e particularidades da série.

Um resuminho básico antes de falar do enredo do episódio em si:

Obviamente, a vida era muito complicada nos anos 80 se você era gay, lésbica, transsexual, travesti ou alguma outra parte da sigla. E, obviamente, era muito mais complicada se você fosse parte da sigla e fosse negro.

O preconceito estava por todo lado e essas pessoas não tinham apoio nem dentro de casa; muitas vezes eram expulsas e tinham que levar uma vida nas ruas, sem conseguir um emprego, moradia, etc.

“Pose” retrata o recorte da comunidade em Nova York, como já foi dito, e como era a relação entre as pessoas. Existiam “casas” formadas por membros dessas minorias e essas “casas” possuíam uma “mãe” que, por sua vez, cuidava de “filhos”, que nada mais eram do que pessoas renegadas pela sociedade.

Essas casas participavam dos “bailes”, que eram “uma reunião de pessoas que não são bem vindas para se reunir em qualquer outro lugar. É uma celebração de uma vida que o resto do mundo não vê como merecedora de celebração” (fala de um dos personagens da série, Blanca).

Nesses bailes, que eram feitos semanalmente, existiam categorias para os desfiles/performances e esses temas deviam ser explorados até a “realness”, ou realidade.

“Isso tudo é sobre realness. É ser capaz de se encaixar no mundo ‘branco e padrão’, para criar uma ilusão do sonho Americano” (Blanca).

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Sobre o episódio…

Elektra é a mãe de uma das casas mais famosas e prestigiadas entre os frequentadores dos bailes. A série começa num ritmo frenético onde, com seus “filhos”, Elektra assalta um museu para levar roupas temáticas para um desfile com a temática de realeza.

Blanca, cansada de ter suas ideias reprimidas e roubadas pela mãe Elektra, se rebela e decide montar sua própria casa.

Na procura por novos filhos, encontra Dalton, um jovem de 17 anos que sonha em ser dançarino e é expulso de casa por esse desejo e por ser gay.

Stan, homem branco e padrão que aparentemente vive o sonho americano, é apresentado ao público no momento em que consegue um novo emprego em um escritório de luxo de Donald Trump (SIM!) em um dos pontos mais nobres de Nova York. Ele, o lado “favorecido e padrão” da sociedade da época começa a se envolver com a minoria apresentada na série quando se encontra com Angel, mulher transsexual que faz parte da casa de Elektra, que trabalha como garota de programa nas ruas.

Após algumas outras situações que você verá no episódio, Angel decide se juntar à casa de Blanca e, após algumas outras situações (hehe), temos o primeiro desafio entre casas já no primeiro episódio! É vogue pra lá, carão pra cá e shade pra todos os lados.

Mas nem tudo é dança. A série vai tratar de assuntos bem sérios e diversos pontos já foram abordados nesse piloto, como o preconceito, surto de HIV da época e como as pessoas lidavam com isso, a diferença de vida da comunidade branca e rica para as minorias, entre outros.

Se me permitem dizer isso, “Pose” chega como um “Paris Is Burning” repaginado e moderno para a nova geração.

A série tem o poder de trazer para perto da cultura LGBTQ+ “raíz” essa nova geração que assiste “Rupaul’s Drag Race” e não conhece 10% do background da comunidade e como tudo evoluiu para que, nos dias de hoje, o assunto possa ser mais debatido e membros da sigla possam ter espaço na televisão e em todos os outros lugares.

A série chega também como um deleite (sim, vou usar essa palavra para descrever a produção SEMPRE) para os que já tem uma bagagem cultural sobre o tema.

Presentão no mês do orgulho LGBTQ+, né?! Amém, “Pose”!

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